(segunda, 30/04/2012, 17:29) Cansado e irritado com o trabalho e também com os amigos - toda aquela perseguição, a insistência e a falta de tempo para mim mesmo, e com a antiga promessa de caminhar com os próprios pés, decidi que era o momento ideal para tornar-me independente, ao menos, talvez, nos finais de semana. Não que não continuasse encontrando-os esporadicamente; mas a sensação de ter que participar de todas (todas) as reuniões, eventos e festas era sufocante. Depois de uma ligação telefônica onde faltou o "como vai você" ou "está tudo bem com você" (não... era sempre o mesmo mecanismo, repetitivo e de novo insistente, motivado pelo interesse regular e unilateral), resolvi me recuperar, conhecer novos ambientes, respirar novos ares e experimentar.

Durante algum tempo, continuei frequentando os diversos lugares a que estive acostumado. Explorei outros tantos, tentativas. Selecionei os que achei mais adequados para mim, de forma que não me sentisse ridículo por estar sempre no balcão - e que geralmente é associado às pessoas solitárias, mas não é o meu caso. Me senti aliviado por não ter a horrível obrigação de fazer o que os outros querem, de ir para os lugares que os outros gostam e principalmente por ter meu tempo e meu espaço.

Então, num certo início de noite e sem nenhuma pretensão, escolhi entrar numa aparente lanchonete de esquina, pouco atraente mas que se revelou bastante conveniente, embora inicialmente não tenha agradado, mesmo que alguém estivesse de prontidão para atender. Conheci o lugar sem a promessa de voltar mas, com a falta de opções na região, retornei pouco tempo depois e, após alguns meses, tornei-me um frequentador assíduo. Tal regularidade, no entanto, foi prejudicada por períodos de completa ausência, ainda nas tentativas de descobrir novos ambientes - todas em vão. Em outras ocasiões simplesmente deixei de ir. E quando retornava, você me recebia e me servia, na maioria das vezes; falava pouco, porque não havia tempo, mas sempre que possível, ao longe, observava o meu próprio tempo - e, quando devolvia o olhar, você desviava, por medo ou... Nunca entendi isso (mas então como eu sabia?) e levei muito tempo até acreditar: você realmente gosta de mim, estava feliz em me ver, e quando te provocava, surgia novamente um breve e sutil sorriso. Sempre me procurando e ficando ao meu lado. Eu não tinha expectativa nenhuma, simplesmente porque eternizava aqueles momentos e sempre iria te encontrar. Isto era o bastante, até você anunciar que vai voltar para casa.

Eu tinha que fazer alguma coisa, ou então cairia no abismo do arrependimento. Você me encontrou e eu te descobri, no toque das suas mãos, na intensidade de seu abraço, a suavidade do seu beijo, a excitação no teu corpo - um segredo tão misterioso e sensual, que me fazia perguntar porque não buscamos tudo isso antes. E novamente você me respondeu com um sorriso e o brilho do seu olhar, dizendo apenas que também esteve pensando nisso. Mas por medo ou insegurança ou procurando me preservar... não te encontrei mais.

Agora você foi embora. Não está mais aqui, nem mesmo se algum dia nos veremos novamente. Não queria que achasse que estive te perseguindo. E me perdi, porque você é livre e te quero livre, te desejo (e você também). E eu saberia que não foi apenas um sonho, se não me dissessem tanto a seu respeito. Que se empolgara com a volta mas que, nestes últimos dias, alguém despertou um coração. Que você não vai se sentindo tão bem, talvez, pelo sofrimento, o constrangimento e toda a humilhação que passou - pensei. Mas disseram que o motivo é outro (saudade). Que quer mesmo retornar. E que você gosta muito de mim.

(sábado, 21/04/2012, 17:41) Só para manter este lugar. E, talvez, com uma bela história para contar.

(segunda, 23/01/2012, 20:30) Este blog não acabou - mais uma vez -, embora a vontade de postar não seja mais a mesma de, digamos, uns dez anos atrás, mais ou menos. Isto se tornou evidente com o tempo. Mas naquela época havia muito mais para se escrever do que as coisas que encontramos hoje: tudo vem pronto e formatado, portanto já escrito. A grande pergunta é saber se estou realmente aproveitando o tempo como deveria ou ao menos como poderia. E acho que não. No entanto, mais maduro e experiente com os desafios que enfrentei e com as pessoas que conheci vou, aos poucos, estabelecendo parâmetros que me permitam com que não perca (mais) tanto tempo com o que é necessário. Estressar, por exemplo. Por que chatear as pessoas com meu nervosismo ou estupidez quando posso participar de algo novo e intenso? Isso pode parecer vago, mas é o que venho enfrentando há alguns meses, saindo da empresa que tem aqueles jovens empreendedores (eles continuam lá, mas exercendo as mesmas funções; um deles foi "promovido" ao cargo de analista de processos, embora, na prática, o que tem feito foi negociar e vender sistemas, mas voltou à antiga função pouco tempo depois; e me querem de volta, para que - penso eu - possam alçar voos maiores), sendo contratado por outra, bastante evoluída em estrutura e processos, mas que tem nesta última característica seu maior entrave: tantas regras foram criadas e, não raro, ocorrem tropeços, desestimulando as equipes atuais e onde o giro de empregados para determinadas atividades é bastante alto. Agora, depois de quase três anos, retorno à empresa onde tudo começou. Um reinício, eu diria. E é onde este assunto não se mostre mais tão vago assim.

 

v.4.3.3